Contato com a Terapeuta Sexual

 

Luciane Secco

 

Terapeuta Sexual

 

Proteja seus filhos de abusos

 

Proteja seus filhosA confeiteira D. P., 30 anos, tem um filho de 10 anos e sua vizinha, C. R., 33 anos,
um de 9. Os dois brincam com um garoto de 14 e elas vivem nervosas: será que o mais velho não vai se aproveitar dos menores? A preocupação é comum. Mas há poucos registros oficiais de assédio em crianças e adolescentes. Entre junho de 2000 e junho de 2001 foram 293, segundo a Abrapia (Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência).
Os abusos deixam de ser denunciados por vergonha e medo e os dados escondem a realidade.

Não são raros os casos de crianças que mexem nos órgãos genitais de outras crianças. E de adultos que fazem o mesmo com menores, tocando-os ou pedindo
para que eles os toquem. Seu filho está sujeito a esse perigo. O diálogo é a principal arma. "Os filhos precisam confiar lias pais para contar o que se passa com eles", diz a psicóloga Luciane Secco.

 

Elas ficain bem atentas


É seguindo essa orientação que as donas-de-casa paulistanas Ana Cristina Takahasi, 35 anos, e Isabel Aparecida Santiago, 35 anos, leitoras de Ana Maria, previnem os filhos. Isabel é bem cautelosa com as filhas de 8 e 11 anos. "Digo que elas não devem conversar com estranhos nem usar roupas curtas demais", explica.
Ficar atenta é o lema de Ana Cristina. Há poucos dias, a filha Juliana, 10 anos, ganhou uma pulseira do professor. "Pode não ser nada, mas o pai dela vai tomar providências", conta.


Tire suas dúvidas


A psicóloga Luciane Secco, do Centro de Estudos e Pesquisa em Comportamento e Sexualidade, de São Paulo, esclarece as principais questões que muitos pais têm frequentemente sobre esse assunto.

Como prevenir que os filhos sejam vítimas de assédio sexual?
As crianças devem sentir que têm liberdade para falar sobre tudo com os pais. É importante conversar sobre sexualidade, tocando no assunto à medida que a criança entender e de acordo, com suas necessidades.
A partir de que idade e como esse diálogo pode ser iniciado?
Entre 3 e 4 anos já dá para falar sobre o assunto. É preciso explicar que ela não pode deixar outra criança ou um adulto tocá-la nos órgãos genitais ou colocá-la em situações nas quais ela não se sinta bem. Se um adulto ou uma criança pedirem para seu filho ou filha tirar a roupa, ou se esse adulto ficar nu perto da criança, oriente que ela saia do local e conte o que aconteceu para você.


Proteja seus filhosQuais os tipos de assédio mais comuns em crianças?


É o feito por adultos. Pior, por parentes próximos, porque a criança confia nessa pessoa e acaba sendo envolvida por ela. Depois, fica com medo de ser repreendida, caso conte aos pais.
Como costuma ser a reação dos pais ao saber que os filhos passaram por uma situação de abuso?
Se para a criança é complicado entender o que aconteceu, para os pais muitas vezes, encarar o assunto também é bem difícil. Alguns guardam segredo e outros até ignoram o fato. Na verdade, eles tentam esquecer a situação e esperam que a criança também faça isso, piorando ainda mais o quadro.
Que consequências essa atitude pode causar à criança?
Depende de como as pessoas próximas a ela vão lidar com o que aconteceu. Ignorar o abuso é a pior atitude. É preciso conversar com a criança e, dependendo da situação, procurar ajuda de psicólogos e advogados.
Como saber que a criança está despertando para o sexo?
O desejo sexual vem quando ela entende as sensações de prazer ligadas ao seu corpo e isso vai acontecer com o amadurecimento. É claro que nenhuma criança gosta de ser assediada. Porém, de certa forma, ela pode sentir que determinados toques são gostosos. Isso não significa uma sensação como a do tesão do adulto, pois os pequenos não têm malícia.


Em que locais esses assédios são mais frequentes?


Eles. podem acontecer em qualquer lugar: na escola, com os coleguinhas mais velhos e até dentro da própria casa, aliás o mais comum.


Como perceber que algo errado ocorreu à criança?


Prestando atenção ao seu comportamento, principalmente em relação aos órgãos sexuais.
Muita vergonha de ficar nu perto de outras pessoas, ardência no local, marcas ou mudanças bruscas de atitude, como chorar à toa, podem indicar problemas.
Que situações devem ser criadas
em casa para que a criança conviva numa boa com a sua sexualidade? Não há uma regra para isso, é preciso diálogo. O comportamento dos pais influencia a sexualidade das crianças, porém, vai depender de como isso é passado para elas. Os pais não podem fingir que o assunto não existe. Eles devem jogar limpo, conversar e explicar que ela vai crescer e, com o tempo, poderá viver sua sexualidade.
Em casos mais extremos, quando a criança é violentada, como os .pais devem agir?
Eles precisam deixar o filho se expressar, contar sem censura o que aconteceu e não podem ignorar o assunto. O ideal é procurar profissionais como um psicólogo infantil, além de uma autoridade legal para se aconselhar.


Onde procurar ajuda?


Abrapia - Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência, tel.: 0800-990500.
O serviço recebe denúncias de exploração sexual infanto-juvenil e de abuso sexual de menores. Elas são repassadas para os Conselhos Tutelares de cada localidade.